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CRONOGRAMA DE AVANÇO FÍSICO

  • Foto do escritor: Nei Damo
    Nei Damo
  • 3 de mai. de 2020
  • 2 min de leitura

História 02 da série Humor no Trecho

Ao se planejar uma obra e se definir o seu tempo de construção, se elabora um cronograma de avanço físico. Este cronograma depende então dos quantitativos de cada serviço, dos equipamentos disponíveis, da mão de obra necessária e de tudo o mais, desde a aprovação do projeto até a placa de inauguração, se houver. Em resumo, é um relatório que mostra o andamento da obra, indicando se a mesma se encontra atrasada ou adiantada, em relação ao originalmente previsto.

Ao contrário de uma edificação, que possui muitos itens e que tem seu cronograma expresso em percentuais de cada serviço anotados por mês, uma obra rodoviária tem menos itens e seu cronograma é relacionado com a posição no terreno, marcado com estacas de 20 em 20 metros, desde o 0PP (ponto de origem), até o PF (ponto final).

Uma obra de pavimentação, de mais de 40 quilômetros, tinha, além de seu corpo técnico, um engenheiro supervisor que visitava o trecho, vindo da capital, uma vez por mês. Também uma vez por mês, a obra remetia para a diretoria da empresa, onde o supervisor era um dos membros, todos os relatórios dos serviços, inclusive o cronograma de avanço físico. Para quem vive o dia a dia de um trecho, não leva muito tempo para se localizar em campo, baseando-se nas estacas numeradas de vinte em vinte metros, fato que fica mais difícil para um visitante mensal.

Decorridos alguns meses do início dos trabalhos, o engenheiro chefe da obra recebeu um telefonema do engenheiro supervisor:

— Olha! Eu não consigo visualizar o avanço dos trabalhos com o estaqueamento do trecho. Como eu sei bem onde ficam os puteiros, coloque o andamento dos serviços em relação a eles. Assim eu me localizo.

E a partir daquele mês, a obra emitia dois cronogramas de avanço físico: um normal para a diretoria e um outro, particular para o supervisor, que era mais ou menos assim:

— Os serviços de drenagem e obras de arte correntes passaram 2 quilômetros e 220 metros da Boate “Drinks & Garotas”.

— A camada de sub base de macadame seco se adiantou até 480 metros da Boate Casa Branca.

— A camada de base de brita graduada passou 100 metros do riacho onde logo a seguir se situa a “Red Ligth”, e assim por diante...

Vez em quando, um engenheiro mais amigo do supervisor brincava com o companheiro:

— A camada de concreto betuminoso usinado a quente, em sua meia pista direita, passou neste fim de mês pela frente da “Brilho de Luar”. (A Vivi manda dizer que está morrendo de saudades).

 
 
 

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